Sunday, March 16, 2014

As estrelas (L.F.Riesemberg)



O frio ar da noite não desencorajava Rust de ficar ao relento. Aquela hora, após o jantar, era um de seus momentos preferidos do dia. Enquanto o pai já se preparava para dormir, ele ia até a parte de trás da casa, olhava para o alto e contemplava a beleza dos pontos luminosos na escuridão.
Jovem, mas quase um homem, ele via as estrelas e imaginava. Para cada uma daquelas pepitas prateadas no céu, criava uma história. Assim, Rust viajava até o lugar mais distante que alguém poderia ir. E, ao voltar para dentro de casa, deitava-se e aquela história continuava até se transformar em sonho.
Certa vez, no meio de uma delas, um velho índio lhe disse:
“Você não precisa ficar só olhando. Pode também criar mais estrelas”.
E por alguma razão, Rust lembrou a primeira história que ouviu, a mais antiga de todas, sobre a luz e a escuridão. “No começo, havia só trevas”, pensou. E desde então, ficou determinado a fazer algo para que o território escuro do céu fosse semeado com novas estrelas. Para isso, teria que fazer da própria vida uma história a ser lembrada, contada e recontada.

1 comment: