Saturday, March 15, 2014

O Débito (L.F.Riesemberg)




Mark não conseguia lembrar-se de como havia chegado lá. Guardava apenas a sensação de que estivera adormecido por um longo tempo. O recinto era escuro, iluminado apenas por velas, cuja tosca luminosidade revelava a existência de pilhas de livros amontoados pelo assoalho e sobre a mesa.
-Onde estou? – perguntou, ainda atordoado, para o velho que surgiu de repente.
Tendo somente o silêncio como resposta, pegou um dos volumes da mesa e fixou sua capa.
-Eu já li este aqui – disse para o velho.
Observou outras capas dos exemplares que se acumulavam pelo chão, e notou em todos uma grande familiaridade.
-Eu conheço todos esses livros. Que lugar é esse, senhor?
O velho, aproximando-se com olhar irônico, falou em uma voz cavernosa:
-Você não conhece, de verdade, nenhum desses livros.
-O que?
-Você tem um débito com eles – comentou o velho, dando-lhe as costas.
Confuso, Mark folheou o exemplar que tinha em mãos, e lembrou-se de que não havia concluído aquela leitura. Havia parado na metade do capítulo cinco, e nunca soube como a história acabava.
-Como eu saio daqui, senhor?
Antes de desaparecer nas sombras, o velho afirmou:
-Pagando todos seus débitos. Comece pelo que está segurando.

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