Friday, March 14, 2014

Chinelos Virados (L.F.Riesemberg)


O pequeno Gregor ficou muito bravo com sua mãe por ela não tê-lo deixado brincar mais tempo com os amigos na rua. Fechou-se no quarto gritando de raiva, maldizendo a tudo e a todos, e no auge da explosão de ira, decidiu: a mãe precisava morrer!

Olhou ao redor, procurou debaixo da cama e achou o que precisava. Sem dó, virou o par de chinelos de cabeça para baixo e pensou: Você pediu por isso!

Naquela noite, o menino não falou mais com sua mãe, e nem respondeu quando ela delicadamente abriu a porta e lhe desejou um bom sono.

As horas foram passando, a noite avançou e, quando tudo era silêncio e escuridão, alguém abriu o portão.

Gregor acordou assustado e, através da fresta das cortinas, viu uma sombra passar pelo quintal. Com o coração disparado, o garoto saiu na ponta dos pés e dirigiu-se até o quarto ao lado, onde sua mãe dormia. Mas ao abrir a porta, teve uma visão aterradora. Vislumbrou, por entre a penumbra do aposento, uma figura sinistra ao lado da cama, aproximando-se da garganta da mãe adormecida.

A coisa, ao farejar o menino, desviou o olhar em sua direção e, com sua face grotesca, sorriu. Gregor entendeu telepaticamente aquela demonstração como “Vim satisfazer seu desejo... vou levar a alma dela comigo”. E, arrependido, voltou ao seu quarto e desvirou os chinelos. Gritou, e pediu para que a coisa deixasse sua mãe em paz. Não queria mais que ela morresse.

De súbito, a porta atrás dele se abriu, e o medo cresceu, pois o monstro havia vindo pegá-lo no lugar dela. Quando uma mão tocou seu ombro, ele pediu perdão por ter deixado os chinelos com as solas viradas para cima.

-Está tudo bem, querido. Você só teve um sonho...

E então Gregor a abraçou com todas as forças e, entre lágrimas, agradeceu por sempre tê-la por perto.

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