Friday, March 21, 2014

O Vento Encantado (L.F.Riesemberg)

A mãe de Gustave bateu muito nele, por não tê-la obedecido. Qualquer pessoa mais educada teria achado a reação exagerada, principalmente devido ao menino ser pequenino e franzino para seus sete anos de idade. E ele ficou sentado no chão, chorando com suas chagas doloridas. Mas o avô, compreendendo as razões do menino, visto que ele próprio havia sido uma criança peralta, foi acalmá-lo.
-Veja, Gustave. Este é um truque que aprendi.
E em um gesto com as mãos, o velho lançou um passe de mágica sobre os hematomas do garoto, em seguida assoprando suavemente sobre a região machucada.
-Este é o vento encantado. Faz qualquer dor ir embora, e traz a calma novamente.
Gustave abraçou o avô e começou a se sentir melhor.
Tempos depois, quando chegava da escola, o menino entrou em casa mas não encontrou ninguém.
-Venha, Gustave, vou te levar lá – disse a vizinha, que o esperava.
Ao chegar à porta, a mãe do menino o abraçou e disse, chorando:
-O vovô queria muito te ver. Mas cuidado, apenas converse com ele, está bem?
O menino foi deixado ao lado do leito, com o velho deitado.
-Gustave, acho que hoje vamos ter que nos despedir – disse o vô.
E o garoto, compreendendo a dimensão daquelas palavras, não deixou que elas continuassem.
-O senhor vai ficar bom, vovô. Eu sei trazer o vento encantado. 

1 comment:

  1. Muito boa história! Parabéns! Já pensou em escrever uma coletânea em inglês? Um abraço.

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